Carros híbridos: marcas europeias correm para apanhar a Toyota

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As marcas automóveis do velho continente concentram atualmente grandes esforços para lançar novos modelos de carros híbridos, uma corrida que surge como consequência das pressões e obrigações europeias cada vez mais exigentes de redução das emissões de CO2. Mas apesar do trabalho árduo, casas como a BMW e a Mercedes-Benz enfrentam um difícil obstáculo: o de superar a pioneira nesta tecnologia, a Toyota, e os seus 18 anos de experiência no campo.

A gigante japonesa, que revelará o seu mais recente Prius – a quarta edição desde 1997 – no Salão Automóvel de Frankfurt esta semana, conseguiu popularizar a tecnologia, com a colocação no mercado de 17.600 unidades em 1998, e desde essa altura, as vendas de carros movidos a eletricidade e a gasolina têm sido bem-sucedidas, principalmente no mercado norte-americano, onde o Toyota Prius é um ícone.

Hoje, o carro japonês tornou-se um símbolo de responsabilidade ambiental e os rivais da Toyota, incluindo Honda, Nissan, General Motors e Ford, seguiram as pisadas da marca japonesa.

No entanto, a Toyota tem desfrutado de uma vantagem substancial, tendo já vendido mais de oito milhões de carros híbridos em todo o mundo. O Prius é, de longe, o carro mais vendido no Japão, onde este mercado representa cerca de 40% das vendas totais.

Em comparação, os automóveis híbridos representam apenas 3% no mercado norte-americano, sendo que a quota de mercado está a encolher com a queda dos preços da gasolina.

Na Europa, o carro híbrido também se manteve em grande parte um assunto marginal, mas está lentamente “a ganhar um mercado, porque a equação do custo está a começar a entrar no bolso de alguns consumidores europeus”, disse François Jaumain, da consultora PwC.

Uma das razões para o ganho de mercado está diretamente relacionado com a oferta de subsídios à compra de carros mais amigos do ambiente, promovida por vários governos europeus.

Assim, a Toyota espera dobrar as suas vendas na Europa para as 400.000 unidades até 2020, afirmou o vice-presidente-executivo do grupo japonês, Didier Leroy à AFP (Agence France Press).

Flavien Neuvy, que está à frente do Observatório Automóvel Cetelem, acrescentou que os consumidores se sentem mais confiantes sobre híbridos porque, ao contrário dos veículos totalmente elétricos, os condutores não têm a pressão de poder ficar parados na estrada por falta de bateria.

Mais recentemente, a norma de emissões na Europa – Euro 6, que entrou em vigor a 1 de setembro – é outro dos incentivos para a indústria automóvel europeia apostar nos carros híbridos, uma vez que a nova legislação irá aumentar o custo de funcionamento de carros movidos somente a gasolina ou gasóleo.

Além disso, os automóveis são obrigados a cumprir a meta da União Europeia de emitir no máximo 95 g/km de CO2 até 2020 sem que tenham sanções.

De acordo com um estudo realizado pela seguradora de crédito Euler Hermes, a Alemanha está atualmente com uma média de emissões de 130 g/km em 2014, devido aos carros de luxo, com emissões maiores, enquanto França tem registado 112 g/km.

Assim, a indústria automobilística alemã está a apostar em “enormes investimentos em híbridos e tecnologias elétricas”, refere o estudo, uma situação que já se pode ver no Salão de Frankfurt.

A BMW vai apresentar os novos híbridos recarregáveis, a rival Mercedes-Benz espera lançar dez modelos até 2017, a Volkswagen já tem uma versão híbrida do seu Golf e a Audi e Porsche estão também na corrida.

Ausentes, por agora, estão os fabricantes franceses. A PSA Peugeot Citroën, cujos híbridos elétrico-gasóleo, até agora, não conseguiram ganhar mercado, revelou que vai lançar carros híbridos gás-elétrico até o final da década.

Já a Renault aposta nos carros puramente elétricos. Até agora não produziu carros híbridos embora o presidente-executivo, Carlos Ghosn, não descarte a possibilidade de que a sua linha Talisman, recentemente apresentado no Salão, tenha uma versão híbrida.

Fonte: LUSA

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