Airbags Takata e o maior recall da história – Recolha de 53 milhões de carros pode custar 2 mil milhões

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Os defeitos detetados nos airbags Takata originaram aquele que já é conhecido como o maior “recall” de sempre. Ao longo desta semana foram vários os automobilistas chamados às oficinas por marcas como a Honda, a Toyota e a Nissan para reparar um problema detetado em alguns airbags Takata. A situação gerou uma crise de liquidez na fabricante de airbags japonesa e deverá afetar pelo menos 53 milhões de modelos.

O risco financeiro está a aumentar para a Takata que enfrenta uma crise de liquidez com os custos associados à recolha e substituição dos airbags com defeitos. O maior ‘recall’ da história deverá afetar pelo menos 53 milhões de automóveis em diversos modelos e variadas fabricantes.

“A Takata está numa posição muito difícil”, refere Takayuki Atake, diretor da SMBC Nikko, à cadeia de televisão “CNBC”. O responsável da empresa de investimentos avança que o custo do ‘recall’, só nos EUA, poderá custar à fabricante japonesa cerca de 250 mil milhões de ienes (1,8 mil milhões de euros), o que “poderá levar a fabricante a ficar sem capital social e dinheiro em caixa”.

O valor das ações da empresa derrapou mais de 10% na quarta-feira, tendo caído 1,77% na quinta-feira. As suas obrigações pendentes negoceiam a 75 do seu valor nominal, indicando que os investidores estão a preparar-se para um possível incumprimento.

Ontem, as ações da Takata fecharam a subir 2,63% para 1,364 ienes, o que indica que os títulos estão a corrigir a queda registada nos dias anteriores.

 

Mazda, Subaru, Mitsubishi chamam à oficina 720 mil veículos com defeito no airbag da Takata

A Mazda Motor Corp, Subaru e Mitsubishi Motors informaram hoje que vão chamar às oficinas mais de 720 mil carros equipados com airbags produzidos pelo fornecedor de peças Takata. Os ‘recalls’ seguem-se aos registados na semana passada pelas fabricantes de automóveis japoneses Toyota, Honda e Nissan.

A Mazda tem cerca de 120 mil veículos envolvidos nesta campanha no Japão, incluindo os modelos Atenza, Bongo e outros dois modelos que constrói para a Nissan e Mitsubishi Motors. A Fuji Heavy, fabricante dos carros Subaru, vai chamar à oficina 91 mil unidades do modelo Impreza, no Japão.

A Mitsubishi Motors identificou 100 mil carros, no Japão, e 412 mil no estrangeiro com este problema.

Os casos envolvem modelos produzidos entre 1999 e 2008. O número mais recente de unidades envolvidas é de 33,8 milhões de automóveis só nos Estados Unidos e 19 milhões nos restantes países: Em Portugal, a Toyota vai chamar 16 mil veículos à oficina, a Honda 12 mil unidades e a Nissan 2.458 viaturas.

O primeiro acidente conhecido foi num Honda, em 2004. Mas os documentos obtidos pela agência “Reuters” revelam que a Takata teria permitido, em 2002, que os airbags da sua fábrica no México tivessem uma taxa de defeitos seis ou oito vezes superior aos limites aceitáveis, algo entre 60 e 80 componentes com falhas para cada um milhão de peças.

As causas do defeito ainda não foram claramente estabelecidas. No início, a Takata declarou que o trinitrato foi manipulado incorretamente durante a montagem, o que fez com que os airbags explodissem devido a pressão excessiva. Meses depois, a empresa culpou os ambientes húmidos pelo problema. No mesmo documento, a própria empresa avança que os motivos para este defeito eram as ferrugens, as soldaduras mal feitas e até pastilhas elásticas tinham sido deixadas dentro do componente.

Numa carta aberta ao público, Shigehisa Takada, CEO da Takata, pede desculpas pelos problemas e informa que estes são causados porque “os elementos de controlo de humidade do agente gerador de gás não foram corretamente implementados na produção, o que provoca o rompimento de um componente do airbag quando este é acionado”.

Segundo o jornal The New York Times, a Takata conduziu testes secretos fora do horário normal de expediente, em 2004, para perceber o que se passava. Os resultados teriam confirmado problemas sérios nos airbags, o que levou o departamento de engenharia da empresa a tentar resolvê-los. No entanto, em vez de avisar as autoridades norte-americanas, os executivos da empresa terão mandado os engenheiros destruírem os estudos e qualquer evidência física do problema. A Takata só admitiu defeitos em 2008, quatro anos depois.

O ‘recall’ da Toyota com os modelos de maior volume tem sido feito em duas etapas. Na primeira, desativa-se o airbag e é colado um adesivo para avisar que ninguém deve usar o banco dianteiro do passageiro. Na segunda opção, é que é feita a substituição. O motivo para que não substituam todos os airbags é simples: não existem peças suficientes para serem trocadas. No entanto, a empresa garante que quando houver disponibilidade, a troca será feita. E essa foi a forma que a Toyota encontrou para resolver o problema.

A fabricante Takata informou na quarta-feira, 20 de maio, que vai aumentar o seu plano de produção para um milhão de airbags por mês. A intenção é fazer a substituição dos componentes com defeito com maior rapidez.

Por: Sara Piteira Mota | Fonte: Diário Económico

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