Eleição no Automóvel Club de Portugal marcada por polémica com as contas

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Carlos Barbosa e António Raposo de Magalhães disputam a presidência do Automóvel Club de Portugal, cuja eleição se realiza hoje. O primeiro pretende uma reeleição que lhe permita continuar a “obra feita”, enquanto o segundo critica o atual cenário, que qualifica de gestão danosa, defendendo a necessidade de uma mudança de rumo. O jornal Económico esteve à conversa com os dois candidatos.

Carlos Barbosa, que se recandidata, e António Raposo de Magalhães, que se opõe à continuidade, elevaram o confronto até ao esmiuçar das contas e ao esgrimir de apoios sonantes.

Não é a primeira vez: sempre que há mais de uma lista concorrente às eleições no Automóvel Club de Portugal (ACP), o confronto de ideias, projetos e acusações sobe de tom. Carlos Barbosa, atual presidente que se candidata a novo mandato, e António Raposo de Magalhães, da lista oponente, têm esgrimido diversas acusações – desde logo de falta de transparência da postura da máquina do ACP no período de debate eleitoral, que segundo Raposo de Magalhães trabalhou em favor de Carlos Barbosa.

Mas a maior acusação da lista alternativa ao presidente que se recandidata tem a ver com a gestão do clube, que António Raposo de Magalhães considera ruinosa. E, em declarações ao Económico, exemplifica: “Entre 2004 e 2013 o ACP registou um resultado liquido acumulável negativo em 4,83 milhões de euros; as dívidas a terceiros aumentaram de 1,77 para 14,04 milhões; e, durante o exercício de 2013, o ACP registou um passivo superior a 17,5 milhões”.

Carlos Barbosa responde com aquilo a que chama “obra feita”, e que, como adiantou ao Económico, resultou “num trabalho de modernização e abertura aos sócios que passou pela profissionalização do clube, por uma renovação integral de imagem, pela rentabilização e recuperação do património, que permitiu aumentar o número e a qualidade dos serviços prestados”.

A capacidade de mediatização das eleições do ACP foi um dos instrumentos exibidos durante a campanha. Nesse particular, a lista de Raposo de Magalhães foi claramente superior: Rui Rio, António Lobo Xavier, Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho (presidentes, respetivamente, do Benfica e do Sporting), foram alguns dos nomes que a Lista A conseguiu agregar em seu torno – numa listagem a que a Lista B teve dificuldades em responder.

Das eleições de hoje (30 de abril) sairá um vencedor que, em termos de prioridades programáticas, estará bem longe do oponente que as perder. Para Carlos Barbosa, a prioridade é desenvolver as estratégias que foram até aqui as suas prioridades – uma espécie de evolução na continuidade. Precisamente o contrário de Raposo de Magalhães: estancar a delapidação do património e devolver o clube aos seus sócios estão no topo da sua estratégia.

 

Três perguntas a Carlos Barbosa

Carlos Barbosa recandidata-se pela Lista B e defende que o ACP “está no caminho certo e de que há muito ainda por fazer”.O que o leva a candidatar-se a mais um mandato?
A certeza de que o Automóvel Club de Portugal está no caminho certo e de que há muito ainda por fazer. Continuar a relação que temos com os sócios, através das delegações, fazendo-os sentirem-se parte integrante do clube e oferecendo-lhes serviços e benefícios que façam a diferença nas suas vidas. Queremos continuar a desenvolver a obra feita e alargar a oferta a todos os sócios. No plano público, o ACP afirmou-se como uma instituição incontornável no que à mobilidade e à segurança rodoviária diz respeito. Queremos também continuar a atrair competições internacionais por muitos anos, como o WRC Rally de Portugal, que agora regressa ao Norte e a Baja 500 de Portalegre.

Quais serão as prioridades do novo mandato, caso ganhe as eleições?
Para além de alargar o trabalho realizado, apresentamos seis propostas concretas que vão ter um impacto muito importante: emissão de cartas de condução no ACP; abrir mais oficinas ACP no país; abrir o Centro de Inspeção Periódica Obrigatória ACP; levar o ensino das nossas escolas de condução ao resto do país; disponibilizar um serviço de ambulâncias ACP e realizar o WRC Rally de Portugal no Norte nos próximos quatro anos.

Que balanço faz da sua passagem como presidente do ACP? 
O clube estava estagnado, antiquado e fechado. Começámos um trabalho de modernização e abertura aos sócios que passou pela profissionalização do clube, por uma renovação integral de imagem, pela rentabilização e recuperação do património, que permitiu aumentar o número e a qualidade dos serviços prestados, abrir mais delegações e reverter tudo isso em benefícios para os sócios.

Três perguntas a António Raposo de Magalhães

António Raposo de Magalhães é o candidato da Lista A e considera que o clube necessita de uma viragem por viver “uma fase de grande instabilidade financeira e pouca transparência”.Porque decidiu ser alternativa ao atual presidente?
O clube vive uma fase de grande instabilidade financeira e pouca transparência, acumulando prejuízos avultados, vendendo património e ostracizando muitos daqueles que gostam do mundo automóvel. Penso que o tempo do “quero, posso e mando” tem de acabar, de uma vez por todas, num clube centenário como o nosso. O ACP merece mais mas, sobretudo merece melhor. Penso que os sócios estão atentos e no momento certo, que será o ato eleitoral, saberão dar a resposta adequada.

Quais são as suas prioridades?
Destaco desde logo a mobilidade como eixo central de atuação. Temos de alargar o conceito de mobilidade, alargar o seu território e abrir a participação de outros grupos de interesse. O ACP não é apenas um clube de automóveis. Queremos travar a alienação do património imobiliário que se tem verificado nos últimos anos, e a nosso ver sem qualquer justificação. Queremos restabelecer estatutariamente a obrigatoriedade de serem os sócios a decidir sobre o património do clube, algo que esta direção alterou, e a nosso ver mal!

Que balanço faz da atuação de Carlos Barbosa à frente do ACP?
Estou nesta campanha de forma positiva e construtiva. No entanto, não podemos escamotear a verdade dos factos. A falta de rigor e transparência em muitos atos de gestão fazem-nos temer o pior. Para já apenas posso denunciar aquilo que vem plasmado nos últimos relatórios e contas. A par de tudo isto assistimos ao delapidar de património histórico, remuneração a membros da direção com valores obscenos e sem noção da conjuntura económica em que vivemos.

Por: António Freitas de Sousa | Fonte: Diário Económico | Fonte (imagens): Carlosbarbosamaisacp.pt e LusoMotores

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